São
necessários muitos acasos muitas coincidências e talvez
muita procura para encontrar a ” imagem que convém ao
desejo” e ainda se encaixa no coração. São as
dificuldades de montar esse quebra-cabeças de tantas peças
que tornam fazer amor um momento tão raro e sublime. Apesar de
reconhecer a beleza do ato, confesso que nunca gostei da expressão
“fazer amor”. Sempre associei essa combinação de
palavras a um papai-mamãe insosso. Uma escolha linguística
de tiozões, casais quadradinhos ou escritores de novela. Como
uma mulher que se acha bem resolvida sexualmente, essa maneira de
falar sempre soou para mim como um clichê demodê, um
jeito brega de tratar de sexo, um corta tesão instantâneo.
Para os meus parâmetros, sexo gostoso é aquele que
envolve uma boa dose de volúpia, o que nunca pareceu combinar
com um convite que começasse com “vamos fazer amor”. Uma
boa trepada, uma metida gostosa, um sexo selvagem sempre tiveram para
mim pronúncias muito mais excitantes.
O
problema é que a expressão ficou desgastada por causa
do uso inadequado. Fazer amor tornou-se um lugar comum e perdeu sua
força semântica. Muitos profanaram a expressão
dizendo que queriam fazer amor quando não desejavam nada além
de uma relação sexual pura e simples, bem distante de
qualquer sentimento. Para inventar um romantismo que não
existe ou não assustar as mulheres mais recatadas, às
vezes os homens lançam mão desse conjunto de palavras,
sem pensar ou acreditar no seu significado. Por outro lado, estou com
vontade de fazer amor soa mais doce na boca das mulheres do que quero
trepar.
Mas
usar a expressão fazer amor em vão é
praticamente uma hipocrisia. Só devemos empregá-la
quando realmente existir amor no sexo. Quando isso acontece, o
coração pulsa em sintonia com o tesão. Os braços
envolvem o corpo e a alma. A pele conduz amor e desejo
simultaneamente. Tudo o que sou une-se ao que você é em
um encontro perfeito.
Fazer
amor é algo tão raro que não pode ser clichê.
Meu preconceito se formou com relação à
expressão, e não ao ato, à banalização
e à distorção dessas palavras tão fortes
em significado. Ser capaz de fazer amor, tornar palpável um
sentimento tão subjetivo, é divino.
“Encontro
pela vida milhões de corpos; desses milhões posso
desejar centenas; mas dessas centenas amo apenas um”.
Para
a maioria das pessoas, tirando os adeptos do poliamor, fazer amor
passa longe do clichê. Fazer amor é um momento raro, é
um privilégio para poucos. É quando o amor e o desejo
entram na mesma órbita. Olhe para o céu e não
confunda um meteorito com um asteróide.
- Volúpia-

muito bom!
ResponderExcluirGostei do texto mais sera q todos pensam deste jeito? bom seria:)
ResponderExcluirfala sério...adorei
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