Beijo

Um beijo quase nunca é apenas um beijo. É um passaporte.

Lábios e calores, centímetro a centímetro, aproximam-se formando encaixes perfeitos, criando o universo. E nesse instante-lugar, o mundo desfaz-se, o fundo desfoca-se, tudo são luzes e sons ininteligíveis. É um lugar muito acima do nível do mar, onde o ar é rarefeito. A sensação de dormência, que começa na boca e corre por todo o corpo entorpecendo os sentidos, ocorre devido à mudança de altitude. A pressão atmosférica em universos paralelos faz com que pensemos que temos o mundo inteiro dentro do peito e os sorrisos mais largos.

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